Atividade marcou o lançamento da nova cartilha de ciência da UBES e reuniu estudantes, pesquisadores e representantes do governo federal.
O 5º Encontro Nacional de Grêmios (ENG) segue fortalecendo debates que apontam para a escola que o Brasil precisa, democrática, plural e conectada com os desafios do século XXI. Na tarde de sábado, o debate “Por mais ciência nas escolas: fazendo a sala de aula um laboratório do futuro” reuniu estudantes de diferentes estados para discutir o papel da pesquisa e da cultura científica na educação básica.
A mesa contou com Juana Nunes, representando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); Vinicius Soares, da ANPG; e mediação de Emanuelle Kisse, além da participação ativa de diversos estudantes que trouxeram relatos do cotidiano escolar. O encontro marcou também o lançamento oficial da nova cartilha de ciência da UBES, material que vai orientar grêmios e escolas a implementarem projetos científicos e atividades de iniciação à pesquisa.
Ciência como cultura escolar
Em sua fala, Juana destacou a importância de construir uma cultura científica desde cedo e explicou como programas de iniciação e feiras de ciências transformam a relação dos estudantes com o conhecimento.
Para ela, a escola básica precisa ser reconhecida como um espaço legítimo de pesquisa. “A gente cria uma cultura científica na educação básica. A escola também é lugar de pesquisa, também é lugar de fazer ciência. Não se faz ciência só na universidade ou nos laboratórios. Quando iniciamos essa perspectiva da pesquisa, estamos fazendo ciência na educação básica”, pontuou.
Juana lembrou ainda que o MCTI financia feiras municipais, estaduais, nacionais e até internacionais, permitindo que jovens aprofundem seus projetos e ampliem seu contato com o universo científico. Segundo ela, esse ciclo fortalece a permanência dos estudantes na ciência e ajuda a democratizar o acesso à carreira científica.
Lab da Rebeldia: quando a escola vira laboratório
Além do lançamento da cartilha, o debate também dialogou com a proposta do Lab da Rebeldia, espaço criado pela UBES para estimular experimentação, tecnologia, criatividade e projetos científicos desenvolvidos pelos próprios estudantes.
O Lab reúne secundaristas que apresentam protótipos, pesquisas e soluções para problemas reais das suas escolas e comunidades, e agora volta ao ENG como parte da construção de uma cultura científica contínua dentro do movimento estudantil.
A realidade dos estudantes: ciência que falta no cotidiano escolar
Entre os relatos apresentados, chamou atenção a fala de um estudante do IFSP – Campus Caraguatatuba, presidente do grêmio local, que apresentou o desafio enfrentado por quem cursa ensino médio integrado ao técnico: a desproporção entre disciplinas da formação geral e as técnicas. “Eu sei programar, mas não sei explicar um fenômeno natural, porque isso não é passado dentro das escolas. No meu curso, é importante programar, mas eu também preciso aprender as disciplinas básicas, ciências, física, química, biologia”.
Ele reforçou que muitos institutos federais têm reduzido a carga horária de ciências, o que prejudica o desenvolvimento de habilidades essenciais para compreender o mundo e participar de debates amplos sobre sustentabilidade, tecnologia e inovação.
Cartilha aponta caminhos para transformar a escola
Ao final da atividade, a UBES apresentou a Cartilha de Ciência, construída ao longo de meses com contribuições de estudantes, pesquisadores e professores. O material incentiva grêmios a organizarem clubes de ciência, feiras escolares, projetos de iniciação, mutirões de experimentos e ações que aproximem as ciências da vida real dos estudantes.
A cartilha reforça que todo estudante tem direito à experimentação, à pesquisa e à curiosidade, e que a ciência precisa ser uma ferramenta para compreender o país e construir soluções para o presente e o futuro.
O debate se encerrou com o chamado coletivo para fazer da escola brasileira um ambiente de investigação, criatividade e protagonismo juvenil, onde cada sala de aula possa, de fato, se tornar um laboratório do futuro.