

Debate na Tenda 3 – Colégio Estadual Silveira da Mota reuniu estudantes e especialistas para discutir currículo, acesso à universidade e o papel do financiamento na garantia do direito à educação
Por Mayra Bortone
Se a escola define o futuro do país, o ensino médio é o ponto onde esse futuro começa a tomar forma. Foi a partir dessa perspectiva que a Tenda 3 – Colégio Estadual Silveira da Mota recebeu, nesta sexta-feira (17), a mesa “Nova escola e Plano Nacional de Educação (PNE): reconstruir o ensino médio e projetar o futuro”, durante o 46º Congresso da UBES.
Com capacidade para 450 pessoas, o espaço reuniu secundaristas de todo o Brasil para um debate que colocou no centro da discussão o que significa, na prática, garantir o direito à aprendizagem. Currículo, acesso à universidade, mundo do trabalho e financiamento da educação apareceram como partes inseparáveis de um mesmo projeto.
O ensino médio como disputa de projeto
A reconstrução do ensino médio foi apresentada como uma das tarefas mais urgentes da educação brasileira. Após anos de mudanças marcadas por críticas ao modelo implementado no período anterior, os participantes destacaram a necessidade de retomar uma formação integral que articule ciência, humanidades, arte e formação técnica.
A mesa apontou que pensar o ensino médio não é apenas reorganizar disciplinas, mas definir qual juventude o país quer formar. Uma juventude crítica, com acesso ao conhecimento e condições reais de projetar o próprio futuro, ou uma juventude limitada por desigualdades estruturais e pela falta de investimento.
Nesse cenário, o Plano Nacional de Educação aparece como instrumento estratégico. Mais do que um conjunto de metas, o PNE define diretrizes para o desenvolvimento educacional do país na próxima década.
Sem orçamento, não há projeto educacional
Presidenta da UNE, Bianca Borges trouxe para o debate a dimensão concreta do financiamento da educação dentro do PNE. Ao tratar da meta de investimento público, destacou o significado dos 10% do PIB destinados à educação.
“Os 10% do PIB para a educação significam infraestrutura nas escolas, merenda de qualidade, respeito aos funcionários e professores, bolsas de estudo. Isso é o básico”, afirmou.
Também foi destacado que a manutenção desse percentual no plano aprovado não foi um dado automático, mas resultado de disputa política. “A nossa conquista foi barrar o retrocesso. A gente celebra a manutenção dos 10%, sim, mas não porque seja muito, e sim porque queriam diminuir ainda mais”, pontuou Bianca.
Para ela, o debate sobre financiamento precisa ser direto. Sem recursos, o plano não se concretiza. “Sem orçamento, o PNE vira só mais uma carta de metas frustradas e intenções em vão”.
A fala reforçou um ponto central da mesa. Não existe política educacional efetiva sem investimento contínuo e suficiente.
Educação para além da sala de aula
Outro eixo do debate foi o papel da escola na construção de trajetórias de vida. A educação foi tratada não apenas como transmissão de conteúdo, mas como ferramenta de transformação social.
Nesse sentido, o ensino médio aparece como etapa decisiva para garantir acesso à universidade, inserção qualificada no mundo do trabalho e desenvolvimento pessoal.
A educação serve para construir, dentro e fora da sala de aula, uma vida melhor, síntese de uma ideia que atravessou toda a mesa.
A discussão também apontou a necessidade de integrar políticas públicas. Permanência estudantil, acesso ao ensino superior, valorização dos profissionais da educação e revisão curricular foram colocados como elementos que precisam caminhar juntos.
O que fica
A mesa sobre o PNE no 46º CONUBES deixou um recado claro. Não basta discutir o futuro da educação em abstrato. É preciso garantir as condições materiais para que esse futuro aconteça.
A reconstrução do ensino médio passa por currículo, mas passa também por orçamento, por valorização profissional e por compromisso político com a educação pública.
No congresso que reúne estudantes de todo o país, a defesa do PNE se soma a outras pautas centrais da juventude. Permanecer na escola, acessar a universidade, ter condições de estudar e viver com dignidade.
Porque, como ficou evidente no debate, o Brasil que a juventude quer construir depende diretamente da escola que o país decide financiar.
O 46º Congresso da UBES segue até domingo (19), em São Bernardo do Campo (SP), com plenária deliberativa no sábado e eleição da nova diretoria no domingo. O encontro tem como tema “Democracia e soberania: um Brasil do tamanho da nossa rebeldia.”
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