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10% do PIB na Educação só será possível com juros baixos

Por Gabriel Nepomuceno, Secretário Geral da UBES

No último mês, as entidades estudantis e o movimento educacional conquistaram, no
Congresso Nacional, a aprovação do novo Plano Nacional de Educação, que estabelece 19
objetivos e 73 metas que devem ser cumpridos até 2035. Entre os objetivos ousados e
importantes pra concretização da melhoria da educação pública, está um imprescindível pra
tornar real todos os outros: garantir os 10% do PIB em investimentos públicos pra
educação.

Esse objetivo é antigo e foi conquistado no PNE de 2014, mas mal passou da metade da
meta. O investimento público em educação na última década foi um dos principais alvos de
cortes e desmantelos, e iniciou há exatos 10 anos. Foi a partir de 2016 que o aporte ao
FUNDEB foi reduzido, e quando também o ensino profissionalizante e superior passou por
cortes significativos. Nossas entidades não ficaram contidas e deram as respostas na rua
com os Tsunamis da Educação, barrando corte atrás de corte mas não conseguindo barrar
o desmonte sistemático que a extrema-direita orquestrou de todos os lados.

O resultado a gente vive na sala de aula com a falta de climatização, professores e
materiais, por exemplo, e na falta de laboratórios que permitem contato com o que tá sendo
estudado. O impacto disso é visto nos resultados de aprendizado, que ano a ano mostram
que o conhecimento em português e matemática ainda é abaixo do que seria ideal e
aceitável.

O termo “aceitável” porquê não é cabível que um país que dispõe de R$ 12.7 trilhões de
reais (o PIB), prefira cortar dinheiro das escolas e universidades públicas do que do aporte
que faz, por meio da dívida pública, aos bancos e donos de títulos da dívida.

De todo orçamento executado em 2025, inacreditáveis 43% foram gastos com a dívida
pública e os seus juros, o que representa R$ 1.007 trilhão, e a culpa é do Banco Central que
sustentou os juros a 15% durante quase todo ano. Esse dinheiro todo foi gasto pra encher o
bolso da elite financeira e não deve voltar como projeto ou política pública. É também mais
de 3x o que o FUNDEB executou pra manutenção e desenvolvimento das escolas públicas
no Brasil inteiro.

A lógica está invertida e a concretização do PNE deverá enfrentar esse desafio, ainda mais
no que diz respeito à garantia dos 10% na Educação. Não será possível garantir que essa
parcela venha pras nossas escolas, institutos federais e universidades enquanto não
acabarmos com a farra dos banqueiros que lucram R$ 400 mil/dia sem trabalhar nada.
Enquanto o BC não colaborar na redução real dos juros, a educação, a ciência e tecnologia,
a indústria, a saúde e diversas outras áreas importantes pro desenvolvimento terão menos
recursos do que o que é gasto com os bancos.

Nessa semana, realizaremos o 46º Congresso Nacional da UBES. Lá, nossa prioridade será
o debate acerca do investimento em educação, sabendo que sem isso não conseguiremos
garantir os recursos pra tornar viável o projeto de escola conectado com o desenvolvimento
nacional que nós acreditamos e lutamos pra virar realidade.

Vem pro ConUBES defender a educação com a gente!