
Ser estudante no Brasil é, todos os dias, um ato de coragem, enquanto lutamos por avanços de
políticas de permanência e inclusão como o Pé-de-Meia e o incentivo ao ensino médio público,
o que vemos em muitos estados e municípios é exatamente o contrário: uma tentativa
sistemática de enfraquecer o movimento estudantil e despolitizar a juventude dentro da escola.
Essa situação se torna contraditória e precisa ser denunciada, pois, ao mesmo tempo em que a
juventude é chamada a ocupar o espaço escolar, nossa forma mais legítima de organização o
Grêmio Estudantil, está sendo esvaziada e substituída por programas de protagonismo
tutelado, feitos para parecer democráticos, mas que, na prática, funcionam como instrumentos
de controle.
O Grêmio é mais do que um grupo de estudantes. É um espaço de luta, de formação política,
de acolhimento e de organização coletiva. É onde os estudantes aprendem desde cedo a
debater, a reivindicar. É onde nascem lideranças e se constrói nossos sonhos.
Mesmo assim, o Grêmio Estudantil vem sendo ignorado e substituído por programas de
protagonismo juvenil que enfraquecem a autonomia estudantil. São projetos prontos,
formatados por governos e secretarias de Educação, que impõem uma participação artificial e
controlada. Jovens falam, mas não decidem. Participam, mas não transformam.
Isso tem um nome: a despolitização da juventude.
Enquanto o Grêmio é uma construção feita pelos próprios estudantes, os programas de
protagonismo forçam os estudantes a construírem obedecendo regras impostas. Eles simulam
escuta, mas negam poder. Querem que os estudantes participem, mas só até onde não
incomode, só até onde não questionem o sistema.
Mas nós sabemos que a juventude não quer ser fantoche. Quer ser ponta de lança nas lutas
por mudança, se tornando importante reafirmar: o Grêmio Estudantil é insubstituível.
A juventude precisa de liberdade para se organizar. Precisa de estrutura, apoio e
reconhecimento. O Estado tem o dever constitucional de garantir esse direito e não de
enfraquecê-lo com projetos de participação superficial.
É preciso pensar um programa nacional de fortalecimento dos Grêmios!
Queremos políticas públicas que estimulem a organização gremista em cada escola do Brasil.
Políticas que garantam:
Assim garantindo que a juventude tenha vez, voz e poder de transformação.
Por isso continuaremos afirmando: “Nada sobre nós, sem nós!”
Porque defender o Grêmio Estudantil é defender uma escola democrática. A escola precisa
voltar a ser espaço de formação crítica e cidadã. O Grêmio não é ameaça, é ferramenta de
construção do comum. Quando há Grêmio, há mobilização. Quando há mobilização, há
conquista.
É com os Grêmios que avançamos nas lutas contra o racismo, contra a LGBTQIAPN+fobia,
contra a militarização das escolas e todas as formas de opressão que tentam calar e controlar
a juventude. É no Grêmio que a escola vira território de resistência. É no Grêmio que a
juventude entende o que é ser sujeito da história.
Seguiremos organizando. Seguiremos lutando. Porque onde houver estudante, haverá
resistência. Onde houver Grêmio, haverá luta.
Edvânio Santos da Silva
Diretor de Combate ao Racismo da UBES