Em um país onde a educação pública ainda enfrenta cortes, falta de estrutura e desigualdades gritantes, os secundaristas sabem bem o que está em jogo.
Garantir 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública significa mais do que números, é garantir futuro. É lutar para que cada escola tenha laboratório, biblioteca, merenda de qualidade, internet que funcione e professores valorizados.
Os secundas vivem na pele o que o investimento (ou a falta dele) representa: salas superlotadas, estrutura precária e dificuldade de acesso a materiais básicos. Por isso, a defesa dos 10% do PIB é uma pauta que vem das bases: das escolas, dos estudantes, de quem sabe onde o dinheiro precisa chegar.
De onde vem essa luta: acompanhe o histórico
A bandeira dos 10% do PIB não nasceu agora. Ela é resultado de décadas de mobilização de estudantes, professores e movimentos sociais por um investimento justo na educação pública.
Nos anos 2000, entidades como a Campanha Nacional pelo Direito à Educação e organizações estudantis já reivindicavam o patamar de 10% como o mínimo necessário para garantir qualidade e equidade no ensino público.
A luta ganhou força com a tramitação do Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em 2014 pela Lei nº 13.005, que determinou a meta de ampliar o investimento público em educação até atingir 7% do PIB ao quinto ano de vigência e 10% ao final do decênio, ou seja, até 2024, uma vitória conquistada com muita pressão popular e mobilização estudantil.
Mas mesmo depois de entrar em lei, a meta virou uma disputa de longo prazo: governos mudaram, cortes vieram, e a educação voltou a ser tratada como despesa, não como investimento. O que deveria ser uma prioridade nacional virou promessa adiada.
O cenário atual
Passados dez anos, o objetivo ainda não foi cumprido. O investimento público em educação no Brasil gira em torno de 5% a 5,5% do PIB, segundo dados do Senado Federal (2024), longe do que o PNE previa.
Entre 2015 e 2021, o investimento público em educação no Brasil diminuiu de 11,2% para 10,6% dos gastos totais do governo, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgados pela Agência Brasil, uma queda que evidencia o retrocesso no financiamento da educação pública no período.
Em 2025, um estudo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação aponta que seriam necessários R$ 61,3 bilhões adicionais para garantir as condições mínimas de qualidade na educação básica, esse montante representa cerca de 0,52% do PIB brasileiro.
Enquanto isso, tramita o PL 2.614/2024, que propõe o novo Plano Nacional de Educação (2024-2034) e reafirma a necessidade de alcançar os 10% do PIB até o fim do novo decênio.
Em outras palavras: o Brasil ainda investe menos do que o necessário (e menos do que outros países da OCDE) para garantir uma educação pública de qualidade e acessível para todos.
Mais investimento é permanência, é futuro
Os 10% do PIB pra educação também significam garantir permanência estudantil. Não adianta apenas matricular, é preciso garantir que cada estudante permaneça na escola com dignidade, com transporte, alimentação, bolsa e estrutura.
É por isso que as lutas por Pé-de-Meia pra geral, Passe Livre estudantil e escolas seguras e democráticas estão todas conectadas. Elas fazem parte de uma mesma pauta: a de que nenhum estudante fique pra trás.
Porque educação é prioridade, não despesa!
A UBES reafirma o compromisso histórico da juventude com o fortalecimento da educação pública, gratuita, democrática e de qualidade. E segue pressionando o governo para que os 10% do PIB não sejam apenas promessa, mas realidade.
Quem está nas salas de aula, nos corredores e nas assembleias sabe: investir em educação é investir no Brasil.
E, como todo secunda sabe de cor e salteado: sem educação, não tem futuro.
Com 10% do PIB, tem esperança, tem escola, tem transformação.