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INSTITUTOS FEDERAIS E SOBERANIA: NO CONUBES, MESA APONTA A CIÊNCIA COMO CAMINHO PARA TRANSFORMAR VIDAS E O BRASIL

Debate na Tenda 2 – E.E. Milton Campos reuniu especialistas e lideranças para discutir o papel da educação técnica e científica na formação da juventude e no desenvolvimento do país


Por Mayra Bortone

No 46º Congresso da UBES, discutir educação não é apenas falar de sala de aula. É falar de projeto de país. Foi com esse entendimento que a Tenda 2 – E.E. Milton Campos recebeu nesta sexta-feira (17) a mesa “Ciência, Tecnologia e IFs: Qual o papel da escola no Brasil que queremos?”. Com capacidade para 700 pessoas, o espaço reuniu secundaristas de todo o país em um debate que conectou educação profissional, desenvolvimento regional e soberania nacional.

A discussão partiu de um ponto central. Não existe futuro para o Brasil sem ciência, tecnologia e investimento público na formação da juventude. E, nesse cenário, os Institutos Federais ocupam um lugar estratégico.

Uma rede que produz ciência e transforma territórios

Reitor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, José Arnóbio de Araújo Filho trouxe para o centro do debate a dimensão concreta da rede federal. Segundo ele, os Institutos Federais hoje desenvolvem cerca de 11 mil projetos de pesquisa em todo o país, em áreas que vão da tecnologia da informação à agricultura familiar e à saúde pública.

Além disso, são mais de 7 mil projetos de extensão espalhados pelos 680 campi da rede, conectando a produção científica diretamente com as necessidades da população.

Para Arnóbio, esses números não são apenas indicadores de produtividade acadêmica. São expressão de um modelo de educação que impacta diretamente a realidade dos territórios. “Isso é transformação, isso é revolução”, afirmou.

Mas o reitor fez questão de ir além dos dados. Para ele, a verdadeira medida do impacto dos IFs está nas trajetórias individuais que passam por essas instituições.

Mais do que números: histórias que mostram o que a educação pode fazer

Ao longo da fala, Arnóbio trouxe exemplos concretos de estudantes que tiveram suas vidas transformadas pela expansão da rede federal, especialmente a partir de 2005.

Ele citou o caso de um jovem da zona rural de Ipanguaçu, no Rio Grande do Norte, que ingressou no curso de informática de um Instituto Federal e, posteriormente, acessou o ensino superior por meio do ENEM, tornando-se médico. Filho de agricultores analfabetos, o estudante representa uma mudança geracional que vai além da educação individual, alcança toda uma família.

Outro exemplo foi o de uma estudante que acompanhava o pai durante a construção de um campus e hoje está prestes a se formar em Engenharia Ambiental Sanitária na própria rede.

As histórias apresentadas apontam para uma mesma direção. A escola pública, quando estruturada e conectada a um projeto nacional, é capaz de romper ciclos históricos de desigualdade.

Expansão, financiamento e disputa política

Se por um lado os Institutos Federais já demonstram capacidade de transformar vidas e territórios, por outro, o debate apontou que ainda há um longo caminho a percorrer.

A expansão da rede, iniciada nos anos 2000, foi colocada como um marco importante para a democratização do acesso à educação técnica e científica no Brasil. No entanto, os desafios atuais passam pelo financiamento e pela garantia de continuidade dessas políticas.

A mesa indicou que o fortalecimento dos IFs não depende apenas do Executivo, mas também de disputas no parlamento sobre orçamento e prioridades. Sem recursos suficientes, a capacidade de expansão e manutenção dessas instituições fica comprometida.

Nesse sentido, o debate dialoga diretamente com o tema central do congresso. Investir em ciência e tecnologia não é apenas uma escolha educacional. É uma decisão estratégica sobre o futuro do país.

Escola, Ciência e o Brasil que queremos

A mesa também trouxe reflexões sobre o papel da escola na formação de uma juventude crítica e preparada para os desafios contemporâneos. A educação profissional, articulada à ciência e à tecnologia, aparece como ferramenta fundamental para reduzir desigualdades e fortalecer o desenvolvimento nacional.

A presença de representantes do parlamento, de movimentos sociais e da academia reforçou que esse é um debate que atravessa diferentes espaços, da sala de aula às instituições políticas.

Para os secundaristas presentes, a mensagem foi direta. A luta pela educação pública de qualidade passa também pela defesa da ciência, dos Institutos Federais e do investimento contínuo na formação da juventude.

O recado da mesa

O debate “Ciência, Tecnologia e IFs” mostrou que discutir educação é discutir projeto de país. Os Institutos Federais não são apenas espaços de ensino técnico. São ferramentas de transformação social, de desenvolvimento regional e de construção de soberania.

Mas também deixou claro que essas conquistas não estão garantidas. Elas dependem de disputa política, de investimento público e de organização social.

No mesmo congresso em que estudantes defendem grêmios livres, passe livre e permanência na escola, a defesa da ciência e da educação profissional se soma como mais uma frente dessa luta.

Porque o Brasil que a juventude quer construir passa, necessariamente, pela escola e pela ciência que nasce dentro dela.

O 46º Congresso da UBES segue até domingo (19), em São Bernardo do Campo (SP), com plenária deliberativa no sábado e eleição da nova diretoria no domingo. O encontro tem como tema “Democracia e soberania: um Brasil do tamanho da nossa rebeldia.”

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