
Estudantes sergipanos, organizados em grêmios estudantis, vêm a público manifestar solidariedade à luta das professoras e professores da rede estadual de ensino e denunciar a grave situação vivida pela educação pública em Sergipe.
A greve da categoria não é um fato isolado. Ela é resultado de anos de desvalorização do magistério, da ausência de diálogo por parte do governo estadual e do aprofundamento de problemas estruturais nas escolas. Mesmo após um longo processo de audiências e tentativas de negociação com o sindicato da categoria, o governo de Fábio Mitidieri teria encerrado as negociações de forma unilateral em 2025 e, desde então, não retomou o diálogo com os trabalhadores da educação.
Entre os principais motivos que levaram os professores a aprovarem a greve está o processo de empobrecimento do magistério sergipano. De acordo com dados apresentados pela categoria, ao longo dos últimos 14 anos os profissionais da educação acumulam perdas que ultrapassam 54% em suas remunerações, resultado do desmonte da carreira docente, do congelamento de gratificações e da ausência de políticas efetivas de valorização profissional.
Além disso, o sindicato denuncia que o governo estadual tem ignorado decisões do Supremo Tribunal Federal que determinam a retomada da carreira do magistério e o descongelamento de gratificações, estabelecidas nas ações ADI 4871 e ADI 5054. Para a categoria, a falta de cumprimento dessas decisões representa um desrespeito não apenas aos profissionais da educação, mas também às instituições do país.
A greve também denuncia problemas graves na gestão dos recursos da educação. Segundo levantamentos feitos com base em dados do próprio governo estadual, mais de meio bilhão de reais teriam sido gastos pela Secretaria de Estado da Educação sem comprovação fiscal adequada, enquanto cerca de 273 milhões de reais deixaram de ser investidos na educação sergipana apenas no ano de 2025 — recursos que poderiam ter sido utilizados para iniciar a recuperação da carreira do magistério e melhorar as condições das escolas.
Do ponto de vista dos estudantes, a crise da educação pública é visível no cotidiano das escolas. Diversas unidades enfrentam problemas estruturais, falta de manutenção e dificuldades no acesso a serviços básicos. A falta de água, por exemplo, tem provocado interrupções de aulas e liberação antecipada de estudantes em algumas escolas. Essa situação se agravou após a privatização da companhia estadual de saneamento, que passou a
ser operada pela empresa Iguá Saneamento, resultando em constantes problemas de abastecimento em diferentes regiões do estado.
Também há denúncias sobre a falta de profissionais de apoio para estudantes com deficiência, comprometendo o direito à inclusão nas escolas públicas. A alimentação escolar, em muitas unidades, tem sido considerada insuficiente ou de baixa qualidade, enquanto a infraestrutura tecnológica prometida pelo governo — como acesso à internet e distribuição de tablets — não atende às necessidades reais das escolas. Em muitos casos, professores precisam utilizar seus próprios pacotes de dados para realizar atividades administrativas como o preenchimento do diário eletrônico.
Problemas no transporte escolar também têm prejudicado os estudantes. A falta de organização em algumas rotas faz com que alunos cheguem atrasados às aulas ou percam parte do turno escolar, afetando diretamente o processo de aprendizagem.
Diante desse cenário, estudantes de todo o estado de Sergipe organizados em grêmios estudantis se somam à mobilização em defesa da educação pública, da valorização dos professores e de condições dignas de ensino e aprendizagem nas escolas.
Repudiamos os ataques à educação pública, denunciamos o abandono das escolas estaduais e exigimos respeito aos professores e aos estudantes. A luta do magistério também é a luta da juventude sergipana por um futuro com mais oportunidades, justiça e investimento em educação.
Por isso, nos somamos às mobilizações e levantamos nossa voz em defesa da educação pública e do futuro da juventude sergipana: Fora Mitidieri.
Assinam esta carta:
Diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
Presidente da União Municipal dos estudantes de Poço Verde/SE
Grêmio Carolina Maria de Jesus / IFS-Campus itabaiana
Grêmio Marcelo Déda Chagas / CEETIP Professor Udilson Soares Ribeiro
Grêmio estudantil Maria Beatriz Nascimento / Centro de Excelência Epifânio Dória
Grêmio Estudantil Professor Paulo Freire / Colégio de aplicação UFS (CODAP)
Grêmio 28 de Março / Instituto Federal de Sergipe, Campus Aracaju
Grêmio Estudantil Aldo Arantes / Centro de Excelência Professor João Costa
Colégio Estadual professora zizinha Guimarães
Escola municipal Mário trindade Cruz
Instituto Federal de Sergipe, Campus Poço Redondo
Instituto Federal de Sergipe, Campus Tobias Barreto
Centro de Excelência José Amaral Lemos
Colégio Estadual Irmã Maria Clemência
Colégio Estadual professora Glorita Portugal
Centro de Excelência Governador Djenal Tavares Queiroz
Colégio Estadual Professor João de Oliveira
Centro de Excelência Dr. Milton Dortas
Grêmio Herbert de Souza / Instituto Federal de Sergipe Campus Lagarto
Escola estadual Antônio Muniz de Souza
Centro de Excelência Cel. Francisco Souza Porto
Grêmio Estudantil Prof. André Lessa / Centro de Excelência Nelson Mandela
Colégio Estadual Fausto Cardoso