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Democracia e Direitos

Prévia do Fórum Social Mundial esquenta o clima em Porto Alegre

3 min de leitura Por Redator UBES
Prévia do Fórum Social Mundial esquenta o clima em Porto Alegre
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Enquanto o poder financeiro do mundo se encontrava em Davos para o 42o Fórum Econômico Mundial, nesta terça-feira (23), do outro lado do oceano lideranças progressistas se reuniram em Porto Alegre para contrapor esta balança mundial, lembrando que os povos e os direitos devem pesar nas prioridades e decisões.

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O ato preparatório do Fórum Social Mundial foi definido ano passado, mas ganhou novo significado e virou histórico ao coincidir com a cidade e a data do julgamento do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva em segunda instância, pelo TRF-4. Os participantes, como a deputada Manuela D’ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos, do MTST, associaram o FSM com o direito de Lula ser candidato.

Além deles, participaram do Ação Global Anti Davos senadores como Roberto Requião (PMDB-PR) e Paulo Paim (PT-RS), deputadas como Alice Portugal (PCdoB-BA), a presidenta da UNE Marianna Dias e outros representantes de movimentos sociais sociais. O auditório da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul ficou lotado de gente de todos os cantos do Brasil presentes em Porto Alegre.

Continuidade do golpe

Para Guilherme Boulos, do MTST, foi oportuna a ação do FSM na ocasião do julgamento: “Estão juntas as lutas por democracia e por direitos. E esses dois pilares têm sido feridos no País, pelo golpe que tirou Dilma Rousseff para colocar uma quadrilha no lugar”. E ainda frisou: “O julgamento desta quarta (24) é a continuidade do golpe”.

Ele teve uma das falas mais aplaudidas do dia ao apontar o povo nas ruas como única saída, em Porto Alegre e pelo Brasil. “A mesma justiça que ignora malas de dinheiro e gravações de Temer diz que não podemos marchar na avenida Paulista, em São Paulo. Mas vamos marchar, sim. É este o caminho daqui pra frente. Se fecham a porta, precisamos de força para arrombar e garantir a democracia”.

Muitos lembraram que a chegada de Michel Temer à presidência do Brasil está associada ao poder de ideias defendidas pelo Fórum Econômico Mundial. “A tal ‘Ponte para o futuro’ trouxe a proposta do capital financeiro, com precarização do trabalho e fim da previdência”, disse o senador Requião. Para ele, o capital também domina a maioria do Congresso Nacional, pelo que chamou de “financeirização das campanhas”.

Capital da democracia

Das 17 edições do Fórum Social Mundial, desde 2011, metade aconteceu em Porto Alegre, inclusive a primeira. “Bonito ver, tantos anos depois, Porto Alegre cheio de homens e mulheres que querem outro mundo”, saudou a deputada gaúcha Manuela D’ávila (PCdoB).

Ela falou da esperança que tomou conta da cidade em 2001 e lamentou que seja palco da “judicialização
da política”. “Os Fóruns Sociais nos inspiram a acreditar que nosso País pode ser protagonista desse sonho de projeto, e não coadjuvante de um sistema que explora. Lula deve continuar sendo protagonista também”, afirmou a deputada.

Marianna Dias, da UNE, também citou a relevância de Porto Alegre para os movimentos sociais e lembrou que as entidades estudantis mudaram sua sede para a cidade, como na campanha da legalidade de 1961. “Falaram que não podíamos nos manifestar aqui e que seríamos poucos, mas acho que podemos sim chamar Porto Alegre de capital da democracia”, terminou.

Por Natália Pesciotta, de Porto Alegre